O Brasil se prepara para um outubro marcado por extremos climáticos. De acordo com as mais recentes atualizações do Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos), o El Niño 2026/2027 tem 97% de probabilidade de se intensificar até o final do ano, com 81% de chance de atingir a categoria máxima, classificada como "muito forte". O fenômeno já vem sendo chamado por parte da imprensa e de cientistas de "Super El Niño".

Pico previsto para outubro

Segundo a NOAA, o pico do fenômeno está previsto para ocorrer entre outubro e dezembro de 2026, período em que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve atingir sua maior intensidade. O Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade Columbia, chega a estimativa semelhante, apontando a mesma janela para o auge do evento.

As projeções mais recentes indicam ainda 69% de probabilidade de que o episódio seja histórico, superando a intensidade dos eventos registrados desde 1950. Nesse cenário mais extremo, a anomalia de temperatura na superfície do mar na região do Niño 3.4 — indicador de referência para medir a força do fenômeno — poderia atingir 2,5°C ou mais durante o trimestre outubro-novembro-dezembro.

O que esperar no Brasil

As previsões climáticas para o país apontam um cenário dividido por região:

  • Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste: chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal, aumentando o risco de ondas de calor, baixa umidade e queimadas.
  • Região Sul: tendência oposta, com chuvas acima da média — influência que pode se estender ao sul de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. Em Santa Catarina, por exemplo, outubro deve concentrar os maiores volumes de chuva do trimestre, entre 210 mm e 280 mm no Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste, e entre 140 mm e 180 mm nas demais regiões do estado.

As temperaturas, de forma geral, devem ficar acima da média climatológica em praticamente todo o território nacional, com aquecimento mais expressivo a partir de outubro e episódios de "veranicos" mais frequentes.

Ciclones e ventos fortes

O litoral da Região Sul, além de Argentina e Uruguai, deve registrar atuação de ciclones extratropicais especialmente em setembro e outubro, trazendo ventos fortes, mar agitado e risco à navegação.

A NOAA faz uma ressalva importante: os impactos associados ao El Niño não são garantidos e variam conforme a região e a evolução das condições atmosféricas — ou seja, trata-se de tendências prováveis, não de certezas.

Um fenômeno em rápida aceleração

O aquecimento do Pacífico vinha se acelerando ao longo de 2026, depois de índices que permaneceram negativos durante boa parte de 2025. A subida foi especialmente evidente nas regiões conhecidas como Niño 3 e Niño 1+2, sinalizando a formação de um evento de grande magnitude.

Cientistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo também já haviam alertado, ainda no início do ano, para a possibilidade de um "Super El Niño" capaz de elevar a temperatura média global a níveis recordes, com potencial para intensificar secas, incêndios florestais e chuvas extremas em diferentes partes do planeta — não apenas no Brasil.

O que é o El Niño

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento persistente das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, acompanhado por mudanças na circulação atmosférica global. Essas alterações afetam o transporte de umidade e a distribuição das chuvas em diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil, onde historicamente favorece tempo mais seco e quente na maior parte do país, com exceção da Região Sul, que tende a registrar chuvas mais volumosas.

Especialistas apontam que a expectativa é de que o episódio continue pelo menos até março de 2027, mantendo sua influência sobre o clima brasileiro durante os próximos meses.