Em 15 de setembro de 2026, o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Aparecida-SP (COMPIR), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, realizou uma importante Roda de Conversa. O evento teve como eixos centrais A Diáspora Africana e sua influência na Capital Mariana da Fé e A participação social dos povos originários na construção da cidadania e da fé.

O encontro reuniu lideranças negras, indígenas, mestres de congada, representantes de terreiros, educadores e fiéis. O objetivo foi refletir sobre como Aparecida, conhecida mundialmente como a Casa da Mãe Aparecida, Padroeira do Brasil, é um território de encontro entre a fé católica popular, a resistência negra e a ancestralidade indígena.

A importância da Festa de São Benedito e das Congadas

Não há como falar de Aparecida sem mencionar São Benedito, o santo negro, filho de africanos escravizados, que se tornou um dos santos mais venerados pelo povo negro brasileiro. Em Aparecida, a Festa de São Benedito, celebrada com as tradicionais Congadas, é considerada Patrimônio Cultural Imaterial e uma expressão máxima da Diáspora.

As Congadas de Aparecida, com seus reis e rainhas, capitães, tambores, coroas e bastões, recontam a coroação dos Reis do Congo e a resistência do povo negro que, mesmo escravizado, manteve sua dignidade, fé e organização social através da dança, canto e devoção.

São Benedito e Nossa Senhora Aparecida caminham juntos na história deste município. O povo negro foi fundamental na construção da identidade religiosa local, carregando andores, cantando louvores e sustentando a fé que caracteriza a capital espiritual do Brasil. Valorizar a Congada é, portanto, valorizar a matriz africana da fé local.

A Basílica, Casa da Mãe Negra e território de visitação

A Basílica de Nossa Senhora Aparecida, o maior santuário mariano do mundo, recebe anualmente mais de 12 milhões de romeiros. Este espaço é também a Casa da Mãe Preta, encontrada fragmentada e negra, simbolizando um Brasil que nasce das águas e da resistência.

O COMPIR ressalta que as visitações à Basílica e aos espaços de memória do município devem ser analisadas sob a ótica da Igualdade Racial. Questões como quantos guias mencionam que a santa é negra ou que contam a história dos congadeiros que fundaram as primeiras irmandades são fundamentais para a compreensão da narrativa local. Além disso, é importante lembrar que as terras do Vale do Paraíba foram território indígena antes de se tornarem um espaço de devoção.

Por isso, a roda de conversa abordou a necessidade de uma Rota Afro-Indígena-Católica em Aparecida, que inclua o Museu da Congada, o Monumento a São Benedito, a Capela do Rio Paraíba, onde a santa foi encontrada, e os espaços de memória dos povos originários Puri e Purimirim que habitaram esta região.

A atividade contou com a presença do último casal de Rei e Rainha negros da tradicional Festa de São Benedito, Toninho e Sofia, além de importantes representantes da sociedade civil, da cultura, da educação, da religiosidade e do poder público de Aparecida-SP.

Participaram do encontro a presidente do Fundo Social de Solidariedade de Aparecida, Rosangela Giordane; o mestre de capoeira Bento; a presidente da Pastoral Afro da Arquidiocese de Aparecida, Maria Regina; a secretária municipal de Cultura, Teresa, e o subsecretário Erick; a líder religiosa Mãe Melissa; e a professora e mestre Priscila.

Também estiveram presentes o presidente do COMPIR, Claudinei Corrêa; os artistas Rubens e Biel; e o líder cultural Ricardo Silvestre, entre outros convidados e representantes da comunidade.

A atividade foi coordenada pelo professor Luis, que conduziu o diálogo e as reflexões sobre ancestralidade, identidade, fé, cultura e participação social na história e na formação de Aparecida.

O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Aparecida-SP agradece à Prefeitura Municipal, à Secretaria de Cultura, às lideranças, convidados e a todos que contribuíram para a realização do encontro.

O COMPIR reforça que ações como esta são fundamentais para preservar a memória, ampliar o diálogo e valorizar as contribuições dos povos negros e originários na construção histórica, cultural e religiosa do município.

Novos encontros e ações de valorização da diversidade, da ancestralidade e da igualdade racial serão anunciados em breve.