Quem viaja de São José dos Campos para Campinas pela Rodovia D. Pedro I (SP-065) precisa preparar o bolso. E, pelo que mostram registros fotográficos realizados durante o trajeto, também precisa ficar de olho no asfalto.

Buracos e irregularidades no pavimento foram encontrados durante a viagem, justamente em uma rodovia concedida e com cobrança de pedágio.

A situação provoca uma pergunta: se o motorista paga caro para utilizar a estrada, por que ainda precisa dirigir desviando de buracos?

Segundo a tabela oficial vigente desde julho de 2026, um automóvel de passeio paga R$ 14 em Igaratá, R$ 11,10 em Atibaia e R$ 16,10 em Itatiba. Somadas, as três praças representam R$ 41,20 em apenas um sentido. Numa viagem de ida e volta, são R$ 82,40 somente em pedágios.

O argumento para a cobrança de pedágio em uma rodovia concedida é que o dinheiro arrecadado ajuda a financiar operação, manutenção, conservação, ampliação e modernização da malha rodoviária. A Rota das Bandeiras afirma ter aplicado bilhões de reais no sistema desde o início da concessão.

O problema começa quando o motorista passa pela praça de pedágio, paga integralmente a tarifa e, alguns quilômetros depois, encontra buracos no caminho. A tarifa não diminui porque o pavimento apresenta defeitos.

Buracos não causam apenas desconforto. Um impacto pode provocar danos nos pneus, rodas e até perda de controle do veículo. E quem paga por isso? O próprio motorista.

É comum ouvir a pergunta: “Já pagamos IPVA. Por que ainda precisamos pagar pedágio?” O IPVA não possui destinação exclusiva para construção ou manutenção de estradas, mas isso não resolve a questão levantada pelo motorista.

Colocar os números no papel ajuda a dimensionar a situação. Para quem utiliza esse caminho frequentemente, o gasto mensal pode chegar a centenas de reais. Encontrar buracos em uma estrada pedagiada não deveria ser tratado como algo normal.

A cobrança funciona perfeitamente nas praças de pedágio, mas a mesma eficiência não é vista na conservação das estradas. Se existe cobrança, deve existir contrapartida.

A pergunta que fica é: a qualidade da estrada está realmente acompanhando o preço cobrado do usuário? Porque cobrar pedágio é fácil, mas convencer o motorista de que vale a pena pagar enquanto ele continua procurando o próximo buraco no asfalto é um desafio.