O mercado financeiro brasileiro inicia esta segunda-feira (26) sob forte pressão, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República. As primeiras reações já vêm do exterior: o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a recuar 26% no pré-mercado, enquanto os ADRs de empresas brasileiras desabam 20%.
A reação amplia a expectativa de um gap de baixa na Bolsa brasileira, caracterizado pela abertura dos preços abaixo dos fechamentos anteriores. A intensidade das perdas, contudo, dependerá das ordens de compra e venda e das condições de liquidez no início do pregão.
O cenário representa uma mudança importante nas expectativas dos investidores, que vinham precificando a possibilidade de alternância de poder. Com a reeleição de Lula, as atenções se voltam novamente à trajetória da política fiscal, à dívida pública, aos juros e às perspectivas para a economia brasileira.
Impacto nas ações de PETR4, ITUB4, BBAS3 e VALE3
O movimento coloca em destaque as ações de Petrobras (PETR4), Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Vale (VALE3), especialmente pelos riscos de rompimento de regiões importantes de suporte.
Petrobras (PETR4): correção à vista?
As ações da Petrobras (PETR4) chegam ao pregão pós-eleição após uma sequência de valorizações, mas sob risco de correção diante da forte queda dos ADRs no exterior. Na sexta-feira (23), o papel avançou 1,47%, encerrando aos R$ 58,68, após renovar sua máxima histórica intradiária em R$ 59,79.
No gráfico diário, observa-se que PETR4 negocia acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, todas inclinadas para cima, preservando a tendência de alta no curto e médio prazo. Entretanto, o IFR (14) está em 70,09 pontos, na região de sobrecompra, indicando maior vulnerabilidade a realizações diante do novo cenário político.
Para o movimento corretivo, é fundamental acompanhar inicialmente a região de R$ 56,90. A perda desse suporte poderá ampliar a pressão vendedora, levando o ativo a testar R$ 53,00 e R$ 51,35.
Itaú Unibanco (ITUB4): suportes sob ameaça
As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) também enfrentam expectativa de forte pressão vendedora, acompanhando a reação negativa dos ADRs. Na sexta-feira (23), o papel avançou 0,62%, encerrando aos R$ 48,30, acumulando valorização de 25,39% em 2026.
Diante do cenário negativo no exterior, é fundamental acompanhar a faixa entre R$ 47,50 e R$ 47,00. A perda dessa região poderá intensificar a correção, com suportes em R$ 45,25, R$ 43,13 e R$ 41,50.
Banco do Brasil (BBAS3): volatilidade em foco
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) também entram no radar diante da expectativa de forte volatilidade após a reeleição de Lula. Na sexta-feira (23), o papel avançou 3,34%, encerrando aos R$ 24,72, enquanto acumula valorização de 15,15% em 2026.
Para o movimento corretivo, é fundamental acompanhar inicialmente a região de R$ 23,29. A perda desse suporte poderá levar o ativo a testar R$ 22,04, próximo da média de 200 períodos, seguida por R$ 21,18.
Vale (VALE3): tendência de baixa
As ações da Vale (VALE3) chegam ao pregão pós-eleição em situação técnica diferente das demais companhias. O papel já vinha apresentando forte tendência de baixa, pressionado pelo cenário das commodities e pela valorização do real. Na sexta-feira (23), avançou 0,67%, encerrando aos R$ 61,90, mas ainda acumula desvalorização de 11,85% em 2026.
Para a continuidade das quedas, a perda de R$ 61,40 poderá abrir espaço para testes em R$ 59,67 e R$ 56,80. Abaixo dessas regiões, os próximos suportes aparecem em R$ 52,60 e R$ 47,33.
Na minha avaliação, a Vale permanece tecnicamente pressionada, embora sua exposição ao dólar possa funcionar como fator de compensação parcial caso a moeda americana avance frente ao real.
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