O primeiro turno das eleições gerais de 2026 redesenhou parte importante do cenário político brasileiro. Neste domingo, 4 de outubro, os brasileiros escolheram deputados estaduais e federais, dois senadores por estado e pelo Distrito Federal, além de governadores e presidente da República.

Na disputa presidencial, a decisão ficou para o segundo turno. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas no domingo, 25 de outubro.

Flávio abre vantagem de 2,23 milhões de votos

Com 99,99% das urnas apuradas na atualização divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral na madrugada desta segunda-feira, Flávio Bolsonaro havia recebido 56.104.268 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Lula aparecia com 53.876.617 votos, ou 45,16% dos votos válidos. A diferença entre os dois candidatos foi, portanto, de aproximadamente 2.227.651 votos, uma vantagem de 1,87 ponto percentual para Flávio Bolsonaro.

Mapa eleitoral mostra divisão regional

A votação também revelou uma divisão geográfica bastante definida. Flávio Bolsonaro terminou na frente em 15 unidades da Federação, considerando o Distrito Federal: Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Lula foi o mais votado em 12 estados: Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Um dado que chama atenção na comparação com 2022 é a mudança de comportamento eleitoral em Minas Gerais e Tocantins. Os dois estados haviam dado vantagem a Lula na eleição anterior, mas neste primeiro turno de 2026 Flávio Bolsonaro terminou na frente. O Nordeste permaneceu como a principal região de vantagem eleitoral de Lula, enquanto Flávio apresentou desempenho superior no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e em parte da Região Norte.

Segundo turno será em 25 de outubro

A disputa presidencial será decidida no domingo, 25 de outubro, entre Flávio Bolsonaro e Lula. Além da Presidência da República, sete unidades da Federação ainda não definiram seus governadores e também terão segundo turno.

  • Acre: Mailza Assis (PP) contra Alan Rick (Republicanos)
  • Amazonas: Omar Aziz (PSD) contra Professora Maria do Carmo (PL)
  • Distrito Federal: Celina Leão (PP) contra Leandro Grass (PT)
  • Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos) contra Ricardo Ferraço (MDB)
  • Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL) contra Eduardo Paes (PSD)
  • Rio Grande do Norte: Allyson (União) contra Cadu de Lula (PT)
  • Tocantins: Professora Dorinha (União) contra Vicentinho Júnior (PSDB)

Tarcísio é reeleito governador de São Paulo no primeiro turno

Em São Paulo, não haverá segundo turno para governador. Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito no primeiro turno, garantindo mais quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes. Com 100% das urnas apuradas, Tarcísio recebeu 14.491.874 votos, equivalentes a 62,65% dos votos válidos. O vice-governador eleito na chapa é Felício Ramuth (MDB).

Tarcísio havia sido eleito pela primeira vez governador de São Paulo em 2022. Antes disso, foi ministro da Infraestrutura durante o governo de Jair Bolsonaro, além de ter presidido o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT.

Vinte estados escolheram governador no primeiro turno

Além de São Paulo, outras 19 unidades estaduais já encerraram a disputa pelo governo. Foram eleitos ou reeleitos no primeiro turno:

  • JHC (PSDB) em Alagoas
  • Dr. Furlan (PSD) no Amapá
  • Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia
  • Elmano de Freitas (PT) no Ceará
  • Daniel Vilela (MDB) em Goiás
  • Eduardo Braide (PSD) no Maranhão
  • Otaviano Pivetta (Republicanos) em Mato Grosso
  • Eduardo Riedel (PP) em Mato Grosso do Sul
  • Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas Gerais
  • Dr. Daniel (Podemos) no Pará
  • Lucas Ribeiro (PP) na Paraíba
  • Sergio Moro (PL) no Paraná
  • Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco
  • Rafael Fonteles (PT) no Piauí
  • Luciano Zucco (PL) no Rio Grande do Sul
  • Marcos Rogério (PL) em Rondônia
  • Arthur Henrique (PL) em Roraima
  • Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo
  • Fábio Mitidieri (PSD) em Sergipe

Assim, 20 estados definiram seus governos já no primeiro turno, enquanto Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins permanecem com a disputa aberta.

Senado passa por forte renovação

As eleições de 2026 também modificaram profundamente a composição do Senado Federal. Como estavam em disputa dois terços das cadeiras, foram escolhidos 54 senadores, com mandatos de oito anos, entre fevereiro de 2027 e janeiro de 2035. Das 54 vagas, 40 serão ocupadas por novos titulares e 14 por senadores que conseguiram a reeleição. O PL foi o partido que mais elegeu senadores: 19. Somados aos nove integrantes da legenda que continuam com mandato, a projeção é de uma bancada de 28 senadores a partir de 2027, tornando-se a maior do Senado. O PT deverá ter nove integrantes e o MDB, oito.

Em São Paulo, os dois senadores escolhidos foram Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

Eleição agora entra em nova etapa

Com a conclusão do primeiro turno, a atenção política passa para o dia 25 de outubro, quando aproximadamente 159 milhões de eleitores aptos poderão voltar às urnas para decidir quem comandará o país nos próximos quatro anos. A disputa começa com uma diferença relativamente pequena diante do tamanho do eleitorado brasileiro: Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com cerca de 2,23 milhões de votos de vantagem sobre Lula.

A resposta definitiva sobre quem ocupará a Presidência da República entre 2027 e 2030, porém, ficará para 25 de outubro.